FMI retoma negociações com Senegal em meio à crise da dívida pública

 

Dakar, Senegal – O Fundo Monetário Internacional (FMI) iniciou esta semana uma missão oficial em Dakar para retomar as negociações com o Senegal, após uma suspensão de quatro meses, numa altura em que o país enfrenta uma grave crise fiscal, elevados níveis de endividamento e incertezas sobre o seu futuro económico.

A missão, liderada pela chefe do FMI para o Senegal, Mercedes Vera-Martin, decorrerá até sexta-feira e representa o primeiro contacto formal entre as duas partes desde fevereiro. A visita acontece poucos dias após o Presidente Bassirou Diomaye Faye formar um novo Governo e num contexto de crescente preocupação com as finanças públicas do país.

Dívida pública sob avaliação

Um dos principais objetivos da missão é avaliar a dimensão real da dívida senegalesa, estimada em cerca de 132% do Produto Interno Bruto (PIB) quando são contabilizadas as responsabilidades financeiras das empresas públicas.

Os técnicos do FMI deverão ainda analisar as medidas adotadas pelo Governo para evitar novas práticas de endividamento pouco transparentes, que têm suscitado preocupações entre os parceiros financeiros internacionais.

Entre os temas em análise está uma controversa operação de financiamento no valor de 650 milhões de euros, realizada através de instrumentos financeiros complexos conhecidos como total return swaps.

Necessidades de financiamento em destaque

As conversações vão igualmente centrar-se na capacidade do Senegal de cumprir os compromissos financeiros nos próximos 12 meses, incluindo o pagamento da dívida e dos respetivos juros.

Os especialistas do FMI avaliarão o desempenho das receitas do Estado e a capacidade do Governo para enfrentar as crescentes pressões orçamentais, num momento em que o país atravessa uma das maiores crises financeiras da sua história recente.

Crescimento económico desacelera

A conjuntura económica do Senegal tornou-se mais desafiante nos últimos meses. As previsões de crescimento, inicialmente estimadas em 5%, foram revistas para cerca de 2%.

Ao mesmo tempo, o aumento dos preços internacionais do petróleo, impulsionado pelas tensões no Médio Oriente, especialmente o conflito envolvendo o Irão, está a pressionar ainda mais as contas públicas e a aumentar os riscos para a estabilidade económica do país.

Apoio financeiro do FMI pode depender da missão

Embora a visita tenha um caráter essencialmente técnico, as suas conclusões poderão influenciar o futuro das relações entre o Senegal e o Fundo Monetário Internacional.

A avaliação servirá para determinar se o FMI estará disposto a retomar um programa de assistência financeira ao país, uma decisão considerada fundamental para recuperar a confiança dos investidores e reforçar a estabilidade económica.

Para o Governo de Dakar, o resultado das negociações poderá definir a estratégia financeira do Senegal nos próximos anos, num período marcado por fortes desafios fiscais e económicos.

Fonte: Africanews/AP e outras agências.

Tags: Senegal, FMI, Bassirou Diomaye Faye, Mercedes Vera-Martin, dívida pública, economia africana, Dakar, crise fiscal, finanças, África Ocidental.

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