Kampala, Uganda – O advogado da oposição ugandesa e antigo presidente da Câmara de Kampala, Erias Lukwago, foi alegadamente detido por forças de segurança na segunda-feira, num episódio que está a gerar fortes críticas de partidos da oposição e organizações de defesa dos direitos humanos.
Segundo familiares e membros da Frente Popular para a Liberdade (PFF), homens armados invadiram a residência de Lukwago, na capital Kampala, e levaram-no para um local desconhecido. Até ao momento, as autoridades ugandesas não confirmaram oficialmente a detenção.
Lukwago é um dos mais conhecidos advogados e políticos da oposição no Uganda e representa judicialmente o histórico líder opositor Kizza Besigye.
Disputa judicial com o chefe do Exército
A detenção ocorreu quando o advogado se preparava para apresentar uma ação judicial contra o general Muhoozi Kainerugaba, chefe das Forças Armadas do Uganda e filho do Presidente Yoweri Museveni.
O processo está relacionado com a controversa detenção de Kizza Besigye, após o seu alegado rapto no Quénia, em 2024. Lukwago também representa Besigye num outro caso envolvendo alegadas ameaças feitas por Kainerugaba através das redes sociais.
Líderes da oposição acreditam que a detenção do advogado está diretamente ligada à tentativa de levar o chefe militar à justiça.
Declarações polémicas nas redes sociais
Pouco depois das notícias sobre a detenção, Muhoozi Kainerugaba publicou várias mensagens nas redes sociais que parecem fazer referência ao caso.
Numa das publicações, afirmou ter "capturado um tolo e levado-o para a cave". Noutra, questionou como alguém poderia tentar intimá-lo judicialmente, prometendo que essa pessoa "aprenderia a lição".
As declarações aumentaram as críticas contra o chefe do Exército, frequentemente acusado de utilizar as redes sociais para intimidar opositores e críticos do Governo.
Oposição denuncia perseguição política
A esposa de Erias Lukwago condenou a ação, classificando-a como uma perseguição política contra um advogado que desempenhava as suas funções profissionais.
Já o líder opositor exilado Bobi Wine acusou militares de agirem sob ordens de Muhoozi Kainerugaba para impedir o avanço da ação judicial.
Preocupações com as liberdades políticas
O caso reforça as preocupações sobre a situação dos direitos humanos e das liberdades políticas no Uganda, onde organizações nacionais e internacionais têm denunciado alegadas perseguições contra figuras da oposição.
Analistas consideram que a detenção de Lukwago poderá agravar as tensões políticas no país, sobretudo num período de crescente escrutínio sobre o ambiente democrático ugandês.
Até ao momento, o paradeiro do advogado permanece desconhecido e as forças de segurança ainda não apresentaram uma justificação oficial para a sua detenção. Grupos da oposição exigem a sua libertação imediata e o respeito pela independência judicial e pelo Estado de Direito.
Fonte: Africanews/AP/AFP.
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