Mulheres estão na linha da frente no combate ao Ebola na RDC e enfrentam maior risco de infeção


Bunia, RDC – As mulheres continuam a ser as mais afetadas pelos surtos de Ebola na República Democrática do Congo (RDC), devido ao papel central que desempenham no cuidado de familiares doentes e no atendimento em unidades de saúde.

Dados divulgados pela ONU Mulheres revelam que, ao longo dos últimos 50 anos, as mulheres têm estado sobrerrepresentadas entre as vítimas mortais da doença. Durante o surto de 2018-2019 na RDC, mulheres e raparigas representaram cerca de dois terços dos casos registados.

Especialistas alertam que o atual surto poderá repetir o mesmo cenário. Segundo a médica Furaha Elisabeth, diretora da Clínica de Ginecologia e Obstetrícia Karibuni Wa Maman, em Bunia, são as mulheres que, tradicionalmente, assumem os cuidados dos familiares doentes nas comunidades.

“Quando alguém adoece, geralmente é a mulher que presta assistência, dá banho, alimenta o paciente e lava as roupas contaminadas”, explicou a médica.

Além do ambiente familiar, as mulheres também constituem a maioria dos profissionais de enfermagem e cuidadoras em hospitais e centros de tratamento. A escassez de equipamentos de proteção individual aumenta significativamente o risco de contágio, colocando em perigo não apenas as profissionais de saúde, mas também os seus familiares.

A médica alerta que, quando uma enfermeira é infetada, os primeiros a correr risco são os seus filhos e outras pessoas próximas, especialmente crianças pequenas e bebés em fase de amamentação.

As autoridades sanitárias da RDC anunciaram que o número de casos confirmados de Ebola subiu para 282. A maioria dos casos foi registada na província de Ituri, enquanto as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul contabilizam um número menor de infeções.

O surto já ultrapassou as fronteiras congolesas. O Uganda confirmou nove casos da doença, aumentando a preocupação das autoridades de saúde da região.

Apesar do avanço da epidemia, há sinais positivos. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou que cinco pacientes já recuperaram da doença. A declaração foi feita durante a inauguração de um novo centro de tratamento em Bunia, capital da província de Ituri.

As organizações internacionais reforçam a necessidade de proteger as mulheres que estão na linha da frente da resposta à epidemia, garantindo acesso a equipamentos de proteção, formação adequada e melhores condições de trabalho para reduzir a propagação do vírus.

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