A eliminação prematura da selecção nacional de futebol Sub-17 do Campeonato Africano das Nações (CAN), que decorre no Reino de Marrocos, gerou forte reação entre agentes e formadores desportivos angolanos, que defendem maior investimento no futebol de base e melhor preparação das camadas jovens para evitar novos fracassos internacionais.
A formação orientada por Mário Catala regressa ao país nos próximos dias, depois de falhar o apuramento para a segunda fase da prova e, consequentemente, a qualificação para o Mundial da categoria, marcado para este ano no Qatar.
Angola encerrou a participação na última posição do grupo, somando apenas um ponto, fruto do empate a uma bola diante do Mali. A selecção sofreu ainda derrotas pesadas frente à Tanzânia (3-0) e a Moçambique (2-1), desempenho que motivou críticas e apelos à reflexão sobre o futuro do futebol juvenil no país.
Na cidade do Lubango, o agente desportivo Juca Fernandes considera que o resultado deve servir de alerta para mudanças estruturais, defendendo uma estratégia mais séria para o desenvolvimento do futebol de formação e a recuperação do prestígio da modalidade no país.
Já em Benguela, Venâncio Tchissingui, responsável pelos escalões de formação do Electro Sport Clube do Lobito, entende que o próximo seleccionador nacional deve percorrer várias províncias para identificar talentos escondidos e ampliar a base de recrutamento da selecção.
Por sua vez, o treinador Augusto Jovongue aponta falhas na preparação da equipa e considera que os maus resultados devem levar a uma profunda reflexão por parte da equipa técnica e da Federação Angolana de Futebol (FAF), visando uma reestruturação que privilegie o trabalho contínuo e a formação qualificada.
A prestação angolana no CAN Sub-17 reacende, assim, o debate sobre a necessidade urgente de fortalecer o futebol de base, apontado por especialistas como o caminho indispensável para garantir competitividade internacional às futuras gerações.

